SUICÍDIO

Por D.Villela

Apesar do poderoso impulso para continuarmos vivendo, assegurado pelo instinto de conservação, é bem conhecida, desde o passado distante, a tentativa ilusória de fugir de situações difíceis através do suicídio.

Desde Cleópatra e Judas, na Antiguidade – a primeira deixando-se picar por uma serpente e o segundo enforcando-se após a prisão do Mestre – aos líderes nazistas, que ingeriram veneno pouco antes de serem presos, é grande o número dos que deixaram a existência material por essa porta sombria.

As religiões sempre reprovaram esse gesto extremo, considerando covardes ou rebeldes os seus autores, e a tradição cristã recusa-lhes o benefício das orações normalmente feitas pelos mortos, informando, também, que estariam para sempre condenados a terrível sofrimento.

suicidioA principal causa do suicídio, inclusive dos homens-bomba de nossos dias, é o desconhecimento acerca da vida espiritual, cuja apresentação desfigurada e destituída de comprovação leva muitos à dúvida, ou mesmo à negação de sua realidade, ou ainda ao fanatismo. As duas primeiras desarticulam as resistências morais, que podem chegar ao colapso, abrindo caminho ao autocídio.

O terceiro capaz, como sabemos, de levar aos atos mais desumanos, na convicção de se estar agindo segundo a vontade de Deus.

A Doutrina Espírita aborda essa questão valendo-se, inclusive, dos depoimentos dos próprios suicidas e oferecendo uma visão nova, lógica e também consoladora acerca dessa ocorrência sempre tão triste.

Analisando os relatos dos que haviam desertado da vida, observou Allan Kardec dois aspectos significativos: por um lado a enorme variedade de situações em que eles se encontravam, fruto das circunstâncias que, em cada caso, acentuavam ou atenuavam a gravidade do fato. Depois, a presença e a ação da misericórdia divina, amparando aqueles sofredores até sua plena reabilitação, que invariavelmente chegaria.

Pela clareza e consistência de suas informações, bem como pelo panorama coerente que nos descortina acerca da vida, com o apoio nos dados da observação, o Espiritismo constitui um poderoso antídoto contra a ideia da autodestruição, equipando o indivíduo com valiosos recursos para o enfrentamento dos mais graves desafios existenciais. As obras espíritas mostram, além disso, que mesmo estando a sós, do ponto de vista humano, jamais estaremos abandonados, pois companheiros invisíveis, agindo em nome da bondade divina, estão prontos a nos envolver em vibrações amigas, fortalecendo-nos a coragem e a resignação, capazes de preservarem nosso equilíbrio mesmo nos momentos mais angustiantes.

Aprendemos, assim, com a Doutrina Espírita, a considerar os suicidas, não como réprobos deserdados de toda a esperança, mas como irmãos nossos, vitimados por enganos cruéis, tornando-se, por isso, credores de nossas preces, que muito favorecerão os esforços que realizam na reconquista da própria paz.

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 “O Céu e o Inferno” (Segunda Parte, capítulo 5).

“Cientes de que não existem proble­mas sem solução, por mais pesada a carga de sofrimento, em que te vejas, segue à frente, trabalhando e servindo, […] por­que o trabalho, invariavelmente, dissolve quaisquer sombras que nos envolvam a mente”. “Amigo”

Emmanuel

Transcrito do informativo SEI – Serviço Espírita de Informação / março/2015 / nº 2246

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