O ABUSO DE DROGAS – COMO ORIENTAR OS JOVENS?

Classificam-se também como lícitas e ilícitas, sendo que as lícitas são aquelas que têm compra e venda autorizada por legislação específica, que são as drogas medicamentosas (tranquilizantes, analgésicos, etc.); drogas sem finalidade terapêutica (álcool e tabaco) e drogas industriais (cola, esmalte, fluídos, solventes, etc.). Drogas ilícitas são todas aquelas relacionadas no rol de ilicitudes da Lei 11.343/06.

O ser humano possui três tipos de perfis psicológicos, quais sejam, estimulante, depressor e perturbador, sempre preponderando um deles no comportamento individual. Na busca da satisfação do seu anseio de êxtase, que é o alcance da felicidade, do prazer, não estando psicologicamente equilibrado, o indivíduo poderá utilizar-se de drogas psicotrópicas em conformidade com o seu perfil.

Com o uso constante de drogas podem surgir três fenômenos a tolerância, a dependência e a Síndrome da Abstinência. A tolerância ocorre porque com o uso da droga o cérebro humano libera um neurotransmissor, específico para cada tipo de droga, que proporcionará prazer ao dependente químico, porém, com a administração constante ocorre uma adaptação biológica à droga, diminuindo a liberação dos neurotransmissores, neste momento, o drogadicto precisa aumentar a dose para obter o mesmo efeito.

A dependência se caracteriza por vínculo extremo onde a droga é priorizada em detrimento de outras relações, na falta da droga as pessoas que se acostumaram a consumi-la são invadidas por sintomas penosos.

Dois tipos de dependência podem ser identificados no indivíduo:

Dependência física: quando a droga é utilizada em quantidades e frequências elevadas, o organismo se defende estabelecendo um novo equilíbrio em seu funcionamento e adaptando-se à droga de tal forma que, na sua falta, funciona mal. Manifesta-se por distúrbios físicos quando o uso de uma droga é interrompido, causando crise de abstinência. Na dependência física, a droga é necessária para que o corpo funcione normalmente.

Dependência psíquica: se instala quando a pessoa é dominada por um impulso forte, quase incontrolável, de se administrar a droga à qual se habituou, experimentando um mal-estar intenso (fissura), na ausência da mesma.  A droga produz um sentimento de satisfação e um impulso psicológico, exigindo uso periódico ou contínuo para produzir prazer ou evitar desconforto.

E a Síndrome da Abstinência são sintomas apresentados quando se interrompe o uso da droga parcial ou totalmente, ocasionando sensações de mal estar.

No início o dependente químico consegue conviver normalmente usando a droga e não se privando da sua vida de relação com os demais integrantes de seu grupo social, mas conforme observamos no quadro descritivo, com o aumento da dependência, as relações pessoais são prejudicadas e por fim totalmente excluídas.

 

Sinais Característicos de um Dependente Químico

Quando o indivíduo começa a usar drogas ocorre uma forte mudança de comportamento que se caracteriza por:

– Irritabilidade sem motivos aparentes e explosões nervosas.

– Inquietação motora: apresenta-se impaciente, inquieto, agressivo, irritado e violento.

– Depressão, com estado de angústia, sem motivo aparente;

– Queda do aproveitamento escolar ou desistência dos estudos;

– Insônia rebelde (troca o dia pela noite);

– Isolamento (vive em seu mundo, evita contatos);

– Mudança de hábitos (descuida-se da higiene pessoal, mudança de amigos, modo de falar, vestir, não dá explicações do que faz etc);

– Desaparecimento de objetos de valor, dinheiro ou incessantes pedidos de dinheiro, chegando a ameaçar quando contrariado;

– Tornar-se indolente, irônico, mentiroso, desafiador, indo contra qualquer tipo de autoridade, rompendo laços afetivos e emocionais.

 

Como Orientar?

Para se orientar qualquer pessoa acerca das drogas é preciso identificar se ele é dependente químico ou não. A diferença é que se ainda não fez uso a orientação deve se basear no maior número possível de informações acerca dos malefícios que a droga causa ao futuro do indivíduo, sendo necessário que o orientador se abasteça de largo conhecimento acerca do assunto. As informações devem ter o objetivo de reforçar educação moral do ser, buscando conscientizá-lo da necessidade da valorização da vida, para que não sei envolva com substâncias psicotrópicas.

Se o indivíduo já é um dependente químico a abordagem não deve restringir-se apenas à informação sobre os malefícios, se ele está se drogando é porque não acredita que esta substância química possa lhe fazer algum mal e não valoriza sua vida, carecendo de uma abordagem mais apurada em que envolva não apenas o dependente químico, mas o seu contexto social e o tipo de droga que usa. Quando se instala o vício é porque um ou mais fatores de influência está em desequilíbrio.

Portanto o orientador tem que passar a conhecer intimamente o orientado, procurando identificar, principalmente no seu contexto social (localidade onde mora, família, amigos, valores morais, dificuldades financeiras, sonhos não realizados) para que possa efetivar a correção moral do dependente químico e a diminuir acessibilidade à compra da droga. A dependência é uma doença que atinge principalmente o caráter, é preciso remoldar este caráter.

Uma intervenção direta tem que observar critérios tais como:

– De preferência agir dentro de diretrizes de um programa maior;

– Realizar a abordagem com especial ênfase em  atitude  não   julgadora, persecutória;

– Oferecer ajuda;

– Ressaltar os prejuízos observados e possíveis consequências futuras;

– Saber que dependência química é uma doença, seja ela álcool, maconha, cocaína, cigarro etc;

– Ler a respeito da Droga;

– Procurar ajuda de um profissional (Psicólogo, Psiquiatra, Clínicas).

Conforme preconiza a Doutrina Espírita, a predisposição ao uso indevido de drogas psicotrópicas advém de eras passadas onde o espírito imortal cometeu diversos desvios, que se apresentam no presente através de dificuldades de relacionamento humano, materiais e morais, gerando um desequilíbrio psicológico, que no momento vêm sendo preenchidos através da alucinação dos sentidos, na insana tentativa da fuga da própria realidade de vida.

A não fixação de valores morais e uma visão não-espiritualizada da vida, características muito comuns na sociedade materializada possivelmente fará com que o jovem não resista às pressões do seu grupo de convivência, desequilibre-se com facilidade e vindo a fugir de sua realidade moral e material através do consumo de alcoólicos e demais drogas que provocam o entorpecimento da mente humana.

Um dependente químico pode ter nas suas proximidades duas modalidades de espíritos, uma de obsessores, inimigos do passado que não desejam o seu bem, impulsionando-o para o desequilíbrio e a fuga pelas drogas, a outra modalidade é de espíritos viciados, aqueles que desencarnaram e não abandonaram o vício, sentindo necessidade constante do consumo, mesmo após o desenlace do corpo físico, ficam “ao redor” do dependente incentivando-o ao consumo, para que possam se aproveitas dos fluidos que saem de seu corpo físico, saciando o seu vício, são verdadeiros vampiros.

Desta forma, pode-se concluir que muitas são as consequências geradas pelo uso de drogas, abaixo relacionamos algumas:

– Vinculações com espíritos viciados através da obsessão ou da vampirização;

– Destruição do perispírito na vida atual;

– Herança de doenças cármicas em reencarnações futuras;

– Escravização no plano espiritual por espíritos menos esclarecidos;

– Necessidade de tratamento médico no plano espiritual para deixar o vício, atrasando a sua evolução.

 

Considerações

O consumo indiscriminado de drogas vem afetando de forma muito grave a sociedade brasileira e mundial, não sendo apenas um problema de classes menos favorecidas economicamente, deve-se evitar tratar como dependentes químicos apenas aqueles oriundos de bairros mais carentes, pois os integrantes das classes média e alta também usam drogas, com a diferença de que têm condições econômicas para sustentar o vício.

Álcool e maconha são drogas usadas no início e que agem como porta de entrada para uso de outros tipos de psicotrópicos, uma vez que o álcool age diretamente no lobo frontal inibindo o senso moral do indivíduo e a maconha pelo fato da regra moral de manter-se “limpo” ter sido quebrada e por necessidade de drogas mais pesadas, isso não quer dizer que a maconha seja uma droga leve.

A grande dificuldade para se combater o álcool é sua aceitação cultural, estando presente inclusive em cultos religiosos da Igreja Católica, Judaica e práticas espiritualistas (Umbanda e Candomblé). No caso da maconha, devido a muita propaganda nos meios político e televisivo muitos ainda acreditam ser uma “droga leve”, o que é um imenso engano, seus níveis de THC são hoje trinta vezes maiores do que na década de 1960, quando surgiu nos movimentos hippies, tendo no seu composto químico mais de quatro mil substâncias identificadas e considerada de poder destruidor do organismo físico muito maior que o cigarro.

Ao se identificar um dependente químico ele não deve ser tratado apenas como transgressor, antes ele é um doente e junto com as medidas coercitivas previstas pelo Estado, ele precisa ser tratado com especialistas para que tenha uma chance de deixar o vício. No início a droga é diversão, mas no fim, ao se instalar a dependência, ela transforma-se em escravidão, destruindo seu caráter moral.

Cabe às Casas Espíritas o socorro imediato aos jovens, adolescentes e adultos que lhe pedem o devido socorro, não sendo justo deixar o tratamento apenas por conta do Estado, possuindo muitas formas de socorro ao dependente químico, cabe a ela o auxílio imediato através do passe, da água fluidificada, da prece intercessória, do atendimento fraterno e das reuniões de desobsessão. Não deixando nunca de tratar a família, pois o uso de drogas reflete um desequilíbrio no lar.

“Se o drama adentrou no teu lar, não fujas dele, procurando ignorá-lo, nem te rebeles, assumindo atitude hostil. Conversa, esclarece, orienta e assiste os que se tornaram vítimas, procurando os recursos competentes da medicina como da doutrina espírita, a fim de conseguires  a reeducação e a felicidade daqueles que a lei divina Te confiou para  a  tua ventura e a deles”. Livro Após a Tempestade – Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis.

 

Sobre o Autor

– Presidente do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier – Distrito da Serrinha do Alambari – Resende/RJ.

– Militar da Ativa do Exército Brasileiro.

– Bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá.

– Cursos: Prevenção ao uso indevido de drogas – Departamento de Narcóticos (DENARC) da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

– Conselheiro em Dependência Química – ONG Serviço Nacional de Prevenção (SENPRE) – Volta Redonda/RJ – em realização.

– Autor do Livro Momentos de Paz na Serrinha – Espíritos Diversos.

 

Transcrito do link:

http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/artigos-diversos/479-o-abuso-de-drogas-%E2%80%93-como-orientar-os-jovens

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