MITOS DA MEDIUNIDADE

Por José Benevides Cavalcante

Frequentemente espíritas são procurados por pessoas que pedem um contato imediato com entes queridos desencarnados. Não se dão por satisfeitas, quando são informadas de que não é tão fácil assim. Em vez de permanecerem no centro, acabam buscando outros meios, quase sempre não confiáveis. Existe, muitas vezes, ingenuidade nessas pessoas, mas há também as que preferem ser enganadas.

Quando se trata de mediunidade – um tema muito próprio do espiritismo –, a maioria não se acha bem informada e alimenta muitas crendices a respeito.

O que é verdade e o que é mentira? Há uma série de mitos sobre mediunidade que precisamos analisar.

As considerações que fazemos aqui estão baseadas nas obras de Allan Kardec e também de Chico Xavier, que muitos, infelizmente, não conhecem ou não se deram ao trabalho de conhecer.

Vamos aos mitos:

Todo médium é espírita e confiável

O simples fato de uma pessoa ser médium não quer dizer que seja espírita e muito menos que conheça o espiritismo. Há honestos e desonestos em todos os setores da sociedade, principalmente no meio religioso, onde muita gente procura levar vantagem, explorando a boa-fé dos menos avisados. O rótulo religioso nunca foi garantia de autenticidade.

Os espíritos só falam a verdade

Seria bom se fosse verdade. Mas não é pelo simples fato de a pessoa ser médium e de receber alguma mensagem espiritual que esta seja verdadeira ou bem intencionada. A única garantia de autenticidade e de sinceridade está no caráter dos médiuns como seres humanos, na seriedade do centro espírita e, naturalmente, no teor da mensagem. Honestos e desonestos, verdadeiros e falsos existem – tanto entre os homens, como entre os espíritos – já dizia Allan Kardec.

Médium não precisa estudar; os espíritos lhe ensinam tudo

Kardec afirma, no primeiro capítulo de A gênese, que “os espíritos só ensinam o necessário para guiar no caminho da verdade, mas eles se abstêm de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo”. Médium que afirma não estudar, pois os espíritos lhes ensinam tudo, demonstra que não entendeu o espírito da doutrina ou não quer assumir o verdadeiro papel de espírita. Chico Xavier era um estudioso da doutrina e sempre se esforçou moral e espiritualmente para ser veículo de espíritos superiores.

Toda pessoa que tem alguma percepção mediúnica precisa desenvolver a mediunidade

Allan Kardec afirma, em O livro dos espíritos, que todos somos mais ou menos médiuns, mas a mediunidade ostensiva e missionária – o que ele chama de mediunato – é uma condição de poucos. Neste sentido, ninguém sabe se é médium ou não antes de submeter-se a uma prova prática e concreta. Quando uma pessoa apresenta sintomas de mediunidade e tem interesse em trabalhar como médium para assumir com dedicação e coragem essa missão, ela precisa submeter-se a uma experimentação dentro de um grupo mediúnico, a fim de que seja conhecida sua capacidade mediúnica.

Bom médium é aquele que recebe os espíritos com mais facilidade

As pessoas obsedadas são as que recebem os espíritos com mais facilidade e, no entanto, muitas delas não são médiuns no sentido estrito da palavra. São apenas médiuns casuais, como todo mundo é, e não médiuns com missão específica na tarefa espírita. Obsessão não é mediunidade. A maioria dos obsedados não é médium propriamente dito; tanto assim que, passada a crise obsessiva, eles voltam à condição anterior, sem os sintomas que apresentavam enquanto perturbados. O melhor médium não é o que recebe muitos espíritos e a toda hora, mas é o que revela boas qualidades morais, apresentando comunicações de qualidade.

Para se obter uma mensagem de um ente querido desencarnado basta procurar um médium

As pessoas que insistem muito em receber mensagens de entes queridos, confiando em qualquer médium, acabam obtendo comunicações falsas. Chico Xavier sempre afirmou que “o telefone só toca de lá para cá”. O médium é apenas um receptor que pode ou não ser utilizado, dependendo das condições espirituais do desencarnado. Milhares de pessoas procuravam o Chico para obter comunicações de entes queridos; uma pequena porcentagem, entretanto, saía de Uberaba com alguma mensagem à mão.

A mediunidade serve para convencer os incrédulos das verdades espíritas

Kardec afirma que as pessoas só se convencem da verdade espírita pelo uso do bom senso e da razão. E isso só acontece com aqueles que já alcançaram maturidade suficiente para atingir certo nível de compreensão. Os detratores do espiritismo sempre acham motivos para combater e desautorizar a doutrina, mesmo diante dos mais extraordinários fenômenos e dos médiuns mais admiráveis, como Chico Xavier.

José Benevides Cavalcante é escritor e radialista, coordenador há mais de quarenta anos da rádio “Momento Espírita”, na cidade de Garça, SP.

Publicado no jornal Correio Fraterno, edição 461 – janeiro/fevereiro 2015

Transcrito do link:

http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1653:mitos-da-mediunidade&catid=108:artigo&Itemid=2

 

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