MEDIUNIDADE, INSTRUMENTO DE TRABALHO E PROGRESSO

É verdade que a mediunidade é instrumento de trabalho positivo objetivando o progresso, e faculdade humana, natural, pertencente ao campo da comunicação, pela qual se estabelecem as relações entre os espíritos, tanto encarnados ou desencarnados. Tem como fundamento a sintonia, tal qual ocorre na obsessão.

Não é dom de privilegiados; é qualidade comum a todos os homens. Mas processa-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual, ao qual pertencemos, e nos afeta com vibrações psíquicas e afetivas através do pensamento.

Sendo o pensamento força criadora de nossa própria alma, é a continuação de nós mesmos e a nossa maior identidade. Como ainda nos encontramos presos entre a animalidade e a angelitude, bem mais próximo dos primeiros, caracteriza-se, o homem atual, como produto de instintos e sensações. Assim, o nosso pensamento, limitado a padrão psíquico inferior, faz vínculos, frequentes e contínuos. Dessa forma, a vida mental do médium determina padrão de pensamentos a expressarem-se em ondas fluídicas que obrigatoriamente se vinculam aos que têm os mesmos interesses. Isso nos leva a concluir que não podemos realizar qualquer estudo da faculdade mediúnica sem o estudo da personalidade humana. A vontade desequilibrada desregula o foco de nossas possibilidades criadoras. Portanto, procede a necessidade de regras morais para quem de fato se interesse pelas aquisições eternas no domicílio do espírito.

Renúncia, abnegação, continência sexual e disciplina emotiva não representam meros preceitos de feição religiosa. São providências de teor científico para o enriquecimento da personalidade. Portanto, não se pode cogitar de mediunidade construtiva sem o equilíbrio construtivo dos aprendizes na ciência do bem viver.

Assim, antes de pensar num desenvolvimento mediúnico, devemos procurar a elevação de nossas ideias e sentimentos. Não podemos contar com boa mediunidade sem consolidar nossos bons propósitos. O legítimo desenvolvimento mediúnico é problema da ascensão espiritual dos candidatos.

Se abandonarmos a disciplina a que somos obrigados para manter a forma na recepção da luz, rendendo-se às sugestões da vaidade, do desânimo, ou do desencanto, sofreremos o assédio dos elementos destrutivos. Muitos médiuns se atiram a prejuízos dessa ordem, depois de começo brilhante, pois acreditam-se donos dos recursos espirituais que não lhes pertencem, ou temem as aflições prolongadas da marcha e recolhem-se na inatividade, retomando, inevitavelmente, à cultura dos impulsos primitivos que o trabalho incessante no bem os induzia a esquecer.

“Ainda não chegamos à vitória suprema sobre nós mesmos”. Todos nós ainda não possuímos plena quitação com o passado; somos vasta legião de combatentes em vias de vencer os inimigos que nos povoam a fortaleza íntima, inimigos simbolizados em nossos velhos hábitos de convívio com a natureza inferior, a nos colocarem em sintonia com os habitantes das sombras. Assim, em muitas ocasiões, o médium pode ser ocupado por entidades inferiores ou animalizadas, em lastimáveis processos de obsessão.

Sem o Cristo, a mediunidade reduz-se a simples meio de comunicação, à mera possibilidade de informação, da qual poderão apoderar-se os interessados em perturbações.

Quando os médiuns se sustentam no ideal superior da bondade e do serviço ao próximo, merecem a defesa e o auxílio das entidades sábias e benevolentes. Mas não podemos estacionar nessa dependência. Os instrutores da Verdade espiritual desejam, antes de tudo, a nossa renovação íntima para a vida superior.

Se apenas buscarmos consolação, sem adquirir fortaleza, não passaremos de crianças espirituais. Os benfeitores do Além não nos querem para eternos necessitados, e sim para companheiros dos serviços do bem, tão generosos, fortes, sábios e felizes quanto eles já o são.

Aparelhos mediúnicos valiosos não se improvisam, como todas as edificações preciosas reclamam esforço, sacrifício, coragem e tempo.

Se os encarnados não tomam a sério as responsabilidades que lhes dizem respeito fora dos recintos de prática espírita, se são cultores da leviandade, da indiferença, do erro deliberado, da teimosia e da inobservância dos conselhos de perfeição cedido aos outros, que poderão concentrar nos momentos fugazes de serviço espiritual?

A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Toda religião que não melhorar o homem não atinge sua finalidade.

Bibliografia:

O evangelho segundo o espiritismo, A. Kardec.

Coleção ‘Nosso Lar’, André Luiz, por Chico Xavier.

Pensamento e vida, Emmanuel por Chico Xavier.

Mediunidade, J. Herculano Pires.

João Batista Kosmiskas é médico ginecologista, pela Escola Paulista de Medicina. Publicado no jornal Correio Fraterno – Edição 469 maio-junho 2016

Transcrito do link:

http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1839:mediunidade-instrumento-de-trabalho-e-progresso&catid=108:artigo&Itemid=2

RECEBA O JORNAL GRÁTIS

Digite seu e-mail para receber as novas publicações do J.E.U. por e-mail.

%d blogueiros gostam disto: