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CASO 74 – SOLILÓQUIO DE UM SUICIDA

lindos casos de chico xavierNa noite de 7 de março de 1948, Chico Xavier encontrava-se com alguns amigos no Alto do Cruzeiro, em Belo Horizonte. Desse ponto admirável, extenso panorama se descortinava…

Noite clara e suave.

Um amigo lembra a prece e o grupo ora.

— Alguém da vida espiritual conosco, Chico? — interrogou um companheiro do Sul de Minas, depois da oração.

— Sim — disse o médium —, vejo um homem chorando ao seu lado.

— O nome dele?

— João Guedes.

— Sim, conheci. Era um pobre moço, poeta, que morreu por suicídio, em minha terra.

Desejará alguma coisa?

— Sim, ele diz que pretende deixar-nos uma lembrança. Alguém traz consigo papel e lápis?

Um dos companheiros presentes estende ao médium o material solicitado.

E, apoiando-se num poste de iluminação pública, Chico escreve o que lhe dita o visitante do Além. Quando terminou, estava grafada a seguinte poesia:

Os torvos corações, náufragos de mil vidas,

Distantes de Jesus, que nos salva e aprimora,

Sob o guante da dor, caminham de hora a hora,

Para o inferno abismal das almas consumidas…

Sementeiras de pranto, aflições e feridas,

No pecado revel que os requeima e devora…

Depois, a escuridão da noite sem aurora

E o sarcasmo cruel das ilusões perdidas…

Alma triste que eu trago, ensandecida e errante,

Por que fugiste, assim, no milagroso instante?

Por que rogar mais luz, se, estranha, te sublevas?

Ah! Mísera que foste, hesitante e covarde.

Não lamentes em vão, nem soluces tão tarde…

Procuremos Jesus, além de nossas trevas!

João Guedes

O moço, amigo do Poeta desencarnado, recebeu a página e guardou-a, enxugando as lágrimas.

Transcrito do livro “Lindos Casos de Chico Xavier” de Ramiro Gama.

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