A MAIOR CONTRIBUIÇÃO DO ESPIRITISMO AINDA ESTÁ POR VIR

Diante das transformações da humanidade, em que a busca dos valores morais tem sido negligenciada em função do utilitarismo da vida, cumpre perguntar ao espírita: qual é mesmo o seu papel?

Quando Kardec iniciou os trabalhos experimentais de pesquisa das manifestações espíritas, certamente não imaginava que por trás de um fenômeno havia toda uma filosofia libertadora e de consequências religiosas. Ao constatar, porém que ali havia a atuação de uma inteligência quis saber aonde aquilo tudo que observava poderia chegar. Da observação das mesas girantes à dedução da existência da causa inteligente (porque os efeitos não eram meramente físicos) um longo caminho de onze anos de estudo e prática seria traçado, tendo seus passos magistralmente por ele registrados em periódicos mensais, a coleção de 147 edições da Revista Espírita (1857 a 1869).

Kardec, como pesquisador, não estava preocupado com curas, nem com o domínio da fé dogmática de mais uma religião. Queria descobrir a verdade sobre um mundo novo que se apresentava o que havia por detrás do véu do simples mundo aparente. Que inteligências seriam essas? Que função teriam na condução dos pensamentos, sentimentos e atitudes humanas? Qual era a finalidade da sua manifestação?

Hoje, passados quase 160 anos, o espiritismo encontra sua maior árvore plantada no Brasil e, como já previam os espíritos que se comunicaram com Kardec na época, tem como maior desafio combater o materialismo, postura filosófica que não admite a existência de nada além da matéria. As ideias espíritas se entranharam em alguns pontos do planeta. São bastante divulgadas no Brasil, mas ainda longe de cumprir o grande objetivo de transformação da humanidade. Afinal, comparativamente, na história do pensamento humano ainda é criança.

Diante de tantas dificuldades humanas, onde o egoísmo e orgulho formam o maior tronco, gerando injustiças, sofrimento e dor, pergunta-se: como o espiritismo pode auxiliar na atualidade? Apesar das casas espíritas estarem com suas portas abertas para receber tantos aflitos, do corpo e da alma, o espiritismo não promete milagres, porque já comprovou que eles não existem. Ora, se nada pode fazer de sobrenatural, de salvação exterior, qual o motivo da busca do público por tantas palestras, cursos, livros e periódicos sobre temas, como encarnação, imortalidade da alma, mediunidade, Evangelho? Simplesmente porque não se compreendem os tormentos humanos; há sede de compreensão e amor e necessitamos de alimento para alma, o pão espiritual que nos fortaleça nas nossas mazelas e nos faça compreender quem somos, de onde viemos, por que sofremos e nossa destinação.

Isso demonstra que a compreensão do espiritismo ainda está nos seus primeiros passos. Muitos estamos ainda na fase da curiosidade, buscando o fenômeno, a mediunidade. Outros nos arriscamos no estudo, e bem poucos ainda somos os da prática. Como disse o filósofo e educador J. Herculano Pires, um “grande desconhecido”. O espiritismo está nas universidades, nas mídias, nas conversas entre amigos, mas ainda não penetrou o coração dos homens na sua acepção maior como condutor de transformações e emancipação espiritual do homem.

Fácil perceber o quanto ainda fazem parte do nosso dia a dia reações ingênuas e acomodações viciadas. Somos bem tímidos ainda em matéria de transformação e o quadro de fome, miséria e infortúnios que grassam pelo planeta são provas de que ainda há muito a se aprender e fazer. E cumpre ao espírita estar atento a isso, sem omissões, pois como asseverou Jesus: “a quem muito foi dado, muito será pedido”. Responsabilidade, conforme os degraus já conquistados.

Um bom exemplo é o momento por que passamos, os brasileiros, em que a crise apavora, o desemprego desespera e o desânimo contamina tantos lares.

Não, nada está perdido. Simplesmente porque é da nossa alçada como espíritos imortais exercitar a inteligência e o amor para o verdadeiro aprendizado da superação.

As crises chegam como um verdadeiro convite ao bem que, como sabiamente nos alertou o espírito Emmanuel no livro Pão nosso, “em todas as épocas constitui a fonte divina, suscetível de fornecer-nos valores imortais”. Momento de reflexão profunda, exercício da fé raciocinada. O bem-estará, assim, sempre presente, revestindo-se de claridades eternas, mas é preciso que abramos as janelas e afastemos as cortinas do medo, da insegurança, da dúvida. Aí estará o principal papel do espiritismo, conscientizando-nos da necessidade do trabalho, da vigilância dos quadros obsessivos e do perigo das nossas escorregadelas, chamando-nos à responsabilidade para a manutenção da sintonia positiva para permanecermos em comunhão com Deus, ainda que aparentemente pareça em alguns momentos estar o mundo em franca bancarrota.

O trabalho individual e coletivo que nos espera é imenso, pois sabemos da cota da nossa participação para a criação de um mundo melhor e mais equilibrado, através do exercício, do esforço, da ginástica moral de não desistirmos de nós, do próximo, do mundo.

Quando falamos em obsessões, lembramos sempre das ‘grandes’ obsessões, quando na verdade sem a devida vigilância nas mínimas ações influenciamos e somos influenciados sutilmente pelas nossas imperfeições, ligando-nos a mentes nem sempre perversas, como se imagina erroneamente, mas a mentes inseguras, perdidas, muitas vezes como nós, que ainda permanecem com as janelas da alma fechadas para a luminosidade da vida que nos aguarda a contemplação e vivência.

No livro Estude e viva, uma lição sobre as obsessões traz justamente o quadro dessas influências sutis (ao lado), que ilustra muito bem alguns males comuns que acometem a população terrena, lembrando-nos que todo grande mal começa num pensamento.

Cabe, portanto, ao espírita sair da zona de conforto e buscar a coragem para o esforço de sua transformação. É nele que está a chave do verdadeiro espiritismo e dele virá o resultado que tanto almejamos: a felicidade. O convite ao bem continua com seus apelos, repetido anos a fio. A maioria de nós na Terra caminha sob o ultimato das dores, mas podemos seguir também pelas estradas do amor. A escolha é nossa.

 

Cuidar do Ambiente Espiritual

Há uma tarefa especial, particularmente destinada aos espíritas, à margem das obrigações que lhes são peculiares: a formação de ambiente adequado ao trabalho edificante dos Bons Espíritos. Eles também esperam por nosso auxílio, a fim de que possam mais amplamente auxiliar. Algumas dicas:

  • Banir do cérebro toda ideia de crueldade, violência, pessimismo e azedume;
  • Evitar imagens de irritação ou de maledicência;
  • Fugir de repisar comentários em torno de escândalos e crimes;
  • Não converter a sinceridade em vaso de fel;
  • Ter a coragem de praticar o bem que apregoamos;
  • Colocar-se no lugar do corrigido para que a brandura nos aconselhe;
  • Recordar que os alicerces de qualquer ambiente espiritual começam nas forças do pensamento.

O Alerta Para as Influenciações Sutis

Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurado há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil. São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo. Não se sabe o que tem causado maior dano à humanidade: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões, despercebidas, contudo bem mais frequentes, que minam as energias de uma só criatura incauta, mas influenciam no roteiro de legiões de outras. Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

  • Dificuldade de concentrar ideias em motivos otimistas;
  • Ausência de ambiente íntimo para orar ou concentrar-se em leitura edificante;
  • Indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastres;
  • Aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;
  • Pessimismos, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade;
  • Interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;
  • Hiperemotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;
  • Ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de automartírio;
  • Teimosia em não aceitar que haja influenciação espiritual, mas passados minutos ou horas do acontecimento, vêm a mudança, o arrependimento, a recomposição do tom mental.

Quantas desavenças, separações e fracassos não surgem assim?

(Fonte: Livro Estude e viva, pelos espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier).

Por Eliana Haddad

Publicado no jornal Correio Fraterno – Edição 469 maio-junho 2016

Transcrito do link:

http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1835:a-maior-contribuicao-do-espiritismo-ainda-esta-por-vir&catid=103:especial&Itemid=2

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